Oposição e o candidato Flávio Bolsonaro cobram Alcolumbre por andamento dos processos, enquanto dezenas de representações aguardam análise.
Os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Flávio Dino continuam como alvos de pedidos de impeachment no Senado, e nenhum deles avançou até agora para votação. A pressão voltou a crescer em setembro, em plena campanha eleitoral, com cobranças da oposição ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem cabe decidir se as representações seguem adiante ou são arquivadas.
O embate mais recente teve como estopim a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. No dia 1º de setembro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou que o Senado vive uma "anestesia" diante do caso e defendeu que Alcolumbre autorize de ofício a abertura do processo contra Moraes. Ele também disse que o ministro deveria ter direito de se defender, como ocorreu com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Três dias depois, Flávio criticou diretamente o presidente do Senado. Segundo ele, Alcolumbre errou ao não pautar os pedidos, e a oposição contabiliza 54 representações paradas. O candidato também reclamou de uma reunião entre Alcolumbre e Moraes, realizada pouco antes de uma sessão do plenário, e levantou a suspeita, sem apresentar provas, de que teria havido combinação com Dino para ações contra ele.
Dino também aparece no centro da disputa. Em outubro de 2025, parlamentares da oposição protocolaram pedidos contra os dois ministros. Contra Dino, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) alegou atuação de natureza política no tribunal. Contra Moraes, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) citou episódios como a divulgação de conversas do caso conhecido como "Vaza Toga". Em setembro deste ano, o tema das emendas parlamentares voltou a alimentar o atrito: Flávio acusou Dino de usar o assunto como instrumento de pressão política. Editoriais de veículos de imprensa chegaram a projetar que, na próxima legislatura, Dino poderia ultrapassar Moraes na fila de pedidos, avaliação de caráter opinativo.
Pelo rito, qualquer cidadão pode protocolar um pedido de impeachment contra ministro do STF. A representação passa por análise técnica da Advocacia do Senado e depois pela Mesa Diretora, que decide se a encaminha a uma comissão ou a arquiva. Historicamente, os presidentes da Casa têm barrado o andamento dessas iniciativas, e Moraes é o principal alvo, com mais de duas dezenas de pedidos.
O tema ganha peso político porque Flávio Bolsonaro, autor de um dos pedidos contra Moraes e crítico frequente de Dino, disputa o segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Moraes e Dino não tinham, até a elaboração desta matéria, posicionamento específico localizado sobre as declarações mais recentes do candidato. A decisão sobre dar ou não andamento aos pedidos continua nas mãos de Alcolumbre.