Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostra terceira alta seguida na estimativa para o IPCA, enquanto projeção para o PIB recua.

O mercado financeiro voltou a elevar a previsão para a inflação brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,99% para 5,01%. Esta foi a terceira semana consecutiva de alta na projeção.

A nova estimativa mantém a inflação acima do limite superior da meta estabelecida para o ano. O sistema de metas trabalha com objetivo central de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o teto considerado para a inflação dentro da faixa é de 4,5%.

Ao mesmo tempo em que aumentou a previsão para os preços, o mercado reduziu ligeiramente a expectativa de crescimento da economia. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,86% para 1,85%. Para 2027, a estimativa também recuou, passando de 1,41% para 1,40%.

A taxa básica de juros também permanece no radar dos analistas. O Focus manteve a previsão de que a Selic termine 2026 em 13,5% ao ano. Para 2027, a expectativa continua em 12%, enquanto a projeção para 2028 permanece em 10,5%. A combinação de inflação acima da meta e atividade econômica mais fraca coloca o Banco Central diante de um cenário que exige cautela na condução da política monetária.

Entre os fatores recentes de pressão sobre os preços está a energia elétrica. A prévia da inflação de setembro, divulgada pelo IBGE, registrou alta de 0,70%, depois de uma deflação de 0,40% em agosto. O aumento foi influenciado principalmente pelo fim de um desconto aplicado anteriormente nas contas de luz.

O mercado também acompanha os efeitos do cenário eleitoral sobre os ativos brasileiros. Nesta segunda-feira, após o primeiro turno das eleições, o dólar e a Bolsa registraram forte movimentação, mostrando que o resultado das urnas passou a ser incorporado às expectativas dos investidores para a economia e para a política fiscal do próximo governo.